Entrevista com Sueli Furlan sobre Educação Ambiental nas escolas


Para a especialista, os gestores precisam experimentar iniciativas, mesmo que pontuais, em busca de uma escola sustentável
Aquecimento global, tsunamis, créditos de carbono. Essas expressões, que hoje estão presentes no cotidiano das pessoas, eram desconhecidas do público no final da década de 1990, época em que os Parâmetros Curriculares Nacionais foram publicados. Segundo a professora da Faculdade de Geografia da Universidade de São Paulo, Sueli Furlan, o volume do PCNs que aborda o tema transversal meio ambiente já trazia os embriões dessas questões ambientais que, no século 21, ganharam escalas mundiais. Nesta entrevista, ela fala dos novos temas que devem ser abordados em sala de aula e da importância dos gestores assumirem o desafio de transformar suas instituições em escolas sustentáveis.
Que novas questões surgiram sobre o tema transversal meio ambiente desde a publicação dos PCNs?
Sueli Furlan As questões ambientais ganharam uma nova roupagem nesta década. Em 1997, quando foram publicados, os PCNs levaram os professores a pensar nos conteúdos de meio ambiente de modo a construir uma postura cidadã e formar um sujeito mais comprometido com seu espaço, com a sua vida, com seus limites dentro do planeta. Isso era bastante inovador para a época.

Anos depois, o debate sobre meio ambiente ganhou outro volume, tanto do ponto de vista temático - passando a incluir questões como o aquecimento global em escala planetária - quanto em escala nacional. Após os PCNs, foram criadas leis voltadas para a temática ambiental, como a que estabelece o Sistema Nacional de Áreas Protegidas e a lei do Estatuto da Cidade - um documento importante que organiza o ambiente urbano. Dentro das novas legislações, encontramos princípios focados no controle ambiental e fica fácil perceber que a sociedade passou lidar com as questões ambientais de uma maneira diferente.
Na sua avaliação, atualmente o tema meio ambiente está mais presente nas escolas?
Sueli Furlan A questão ambiental surgiu na sociedade, e não na escola, e foi escolarizada depois. Contudo, não podemos afirmar que o tema esteja suficientemente enraizado na escola, temos ainda muita coisa pra fazer.

Uma das limitações que existe refere-se ao ponto de vista metodológico. As pessoas sabem muito sobre o tema meio ambiente, mas não sabem atuar para resolver os problemas. Há uma grande diferença entre falar sobre o tema e fazer Educação Ambiental. Em geral, a mídia e os professores já falam bastante sobre questões ambientais, mas precisam avançar em direção à Educação Ambiental, que envolve mudança de valores e atitudes dos adultos e ensino desses novos valores e atitudes para as crianças na escola.

Como é possível fazer isso em sala de aula?
Sueli Furlan Para avançar em direção à Educação Ambiental é importante definir o âmbito de atuação dos professores e saber com clareza até onde, de fato, a escola pode agir. Tomando como exemplo a questão do lixo - tema muito presente nas escolas - é comum ver projetos que acabam frustrando os alunos por mostrarem a eles uma realidade em que não conseguem interferir. Eles começam com a compreensão de um processo e o entendimento do que é o resíduo. Em seguida, estudam como fazer a coleta, como separar o lixo, como ele é constituído, o que é um aterro sanitário, o que é um sistema integrado de tratamento. Quando vão colocar em prática o que aprenderam, notam que a cidade não tem sistema reciclagem porque o poder público não tem uma política para a área. Ou seja, a escola ensina de um jeito, o aluno vê que lá fora a realidade é outra e acaba achando que o que ele aprendeu não serve.

Por isso, é preciso saber a limitação que se tem e deixá-la clara aos alunos. Eles podem compreender a dimensão do problema. Podem, sim, ser pessoas menos perdulárias com o desperdício de recursos. Mas precisam também, num caso como este que eu exemplifiquei, aprender como o cidadão deve agir, caso não haja políticas públicas efetivas voltadas para a resolução de questões ambientais. Mobilizar um grupo para pressionar a prefeitura, participar de movimentos, ONGs, são alguns exemplos de outros níveis de ação, que não vão necessariamente tratar o lixo em si, mas levam a compreender melhor a complexidade real do problema e como agir de maneira mais articulada.

Qual é o papel do gestor escolar nesses projetos?
Sueli Furlan Hoje, seria muito interessante que os gestores escolares assumissem o compromisso de transformar a escola em exemplo de sustentabilidade, com uso responsável de recursos, no consumo de energias, na manutenção dos equipamentos, na utilização dos materiais, com a qualidade de vida e do ambiente na escola. O que se deseja idealmente é que as pessoas possam perceber-se no mundo e possam lidar com as questões ambientais a ponto de querer transformar o seu próprio modo de viver e seu modo de interagir com os recursos existentes. E a escola deveria ser um lugar privilegiado para que essa percepção acontecesse.

Que iniciativas simples poderiam tornar a escola mais responsável do ponto de vista ambiental?

Sueli Furlan A escola muitas vezes trabalha com questões macro para discutir grandes problemas ambientais, e não consegue ir além do que a mídia já faz: informar sobre o problema. É necessário, então, pensar em pequenas atitudes concretas. Um exemplo está na quantidade de mobiliário quebrado que a gente vê nas escolas e ninguém toma uma providência. Aquilo é recurso natural que está lá. Quase toda escola tem um lugar onde são guardados esses móveis. As pessoas até fazem projetos e identificam isso como um problema, mas não percebem que resolvê-lo é muito importante. A mesma coisa acontece com o desperdício de água e energia, que podem ser projetos de solução de um probleminha muito micro, muito pontual, mas na temática do meio ambiente, o pontual é sempre parte de uma totalidade. Cada um com o seu trabalho pontual é capaz de promover uma grande mudança.

Fonte:  http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/coordenador-pedagogico/entrevista-sueli-furlan-educacao-ambiental-escolas-meio-ambiente-sustentabilidade-529870.shtml

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Neide Nogueira fala sobre Educação Ambiental no Brasil


Coordenadora de Temas Transversais dos PCNs avalia a Educação Ambiental nas escolas das redes estaduais
Qual a distorção mais comum na Educação Ambiental?
Neide Nogueira  >
O maior pecado de quem acha que está fazendo Educação Ambiental, e não está, é acreditar que apenas o estudo de textos e a circulação de informações é suficiente. Outro é fazer trabalhos pontuais, sem continuidade e sem permanência. Por exemplo, realizar uma série de ações somente na semana de Meio Ambiente, eventualmente numa data comemorativa, ou organizar um seminário desprovido de um processo contínuo de formação. Tudo isso ajuda, é melhor do que nada, mas não é suficiente.

Tratar a Educação Ambiental apenas com projetos didáticos é um bom caminho?
Neide Nogueira >
Projeto é uma boa modalidade. O problema é que raramente os professores trabalham o projeto de forma integrada. Acaba ficando postiço. Você tem a aula planejada de uma forma e o projeto à parte. Acaba o projeto ambiental e não fica nada.

Para você, como seria uma Educação Ambiental ideal?
Neide Nogueira >
Antes de tudo, é preciso diferenciar Educação Ambiental e ensino sobre Meio Ambiente. Os conteúdos em si, os conceitos de ecologia, a Geografia e as Ciências já trazem. Outra coisa é fazer um trabalho que tem a ver com mudança de valores, atitudes e práticas. E isso é muito mais difícil, é preciso pensar uma didática que favoreça isso. Não adianta só ler textos e ver filmes. Temos que incluir situações práticas com as quais os alunos se envolvam. Precisa pensar a escola como parte do ambiente, considerar o consumo dos recursos, o reaproveitamento, o desperdício, procurar funcionar de um jeito sustentável. E, para isso, tem que envolver também a gestão escolar. É um trabalho complexo. Ter um coordenador pedagógico faz toda a diferença. Tudo isso mexe com a estrutura da escola.

Qual é o principal desafio conceitual da Educação Ambiental?
Neide Nogueira >
Ela propõe que os alunos adotem posturas e valores que são o contrário do que a maioria da sociedade faz e afirma. Por exemplo, ensina que é preciso reduzir o consumo, mas o que mais se vende na televisão é o consumo. A quantidade de consumo define o status social. Quando se quer que os alunos aprendam e adotem uma postura tão diferente do que está preestabelecido, a ação deve ser permanente.

É preciso falar de natureza o dia todo, em todas as aulas?
Neide Nogueira >
A discussão sobre a temática não precisa estar presente o dia inteiro, não é uma pregação religiosa. Mas a postura que se quer estabelecer pode e deve ser trabalhada o tempo todo, como atuar em equipe, cooperar entre si. Um dos alicerces dos problemas ecológicos é a competição, a idéia de levar vantagem sobre tudo. Uma reflexão ética também é fundamental e pode estar sempre presente na escola.

A Educação Ambiental deve estar em todas as disciplinas?
Neide Nogueira >
É preciso ter certo cuidado. As diferentes áreas e os diferentes conteúdos se relacionam de diferentes formas com o ambiental. Nem tudo é compatível. A articulação não é possível com todos os conteúdos de todas as áreas. Pode ficar forçado. Trabalhar em História as relações dos diferentes povos com o meio ambiente é legal, há uma relação mais direta. Já em Língua Portuguesa ou Matemática, a abordagem é outra. O tema meio ambiente forma um contexto de uso e significado para o conteúdo estudado, como na atividade de medir o desmatamento na região e comparar com o limite permitido. Na área de Ciências, os próprios conceitos já fazem parte do currículo. Importante é ter em mente que todos os professores podem trabalhar com o assunto de forma transversal, desde que haja um planejamento conjunto, orientação e uma avaliação que leve em conta algumas metas. O que acontece muito é apenas a escolha de um tema gerador, e cada professor vai usar isso por dois meses para ensinar sua disciplina. Só que ninguém agüenta, passa um bimestre e você já começa a desalinhar. Aí não faz sentido.

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Você sabe o que é Educação Ambiental ?


Partindo do princípio que os objetivos da Educação Ambiental (EA) abrangem consciência, conhecimento, comportamento, habilidades e participação, conseqüentemente, conclui-se que ela deve ter como base um processo continuo e permanente de educação, que foca as situações atuais, considerando, ao mesmo tempo, a perspectiva histórica. Posteriormente, a EA avalia a necessidade da cooperação local, nacional e internacional, a partir do qual, instaura a precisão de descobrir as reais causas dos problemas ambientais.
Nas escolas, a EA deve oportunizar processos de educação que possibilitem a construção das estruturas do pensamento. Mas para que isso ocorra, os educadores devem colocar os alunos dentro de situações ambientais reais para despertar a consciência, possibilitar o conhecimento, favorecer o comportamento adequado e incentivar trabalhos para a verificação dos impactos causados por nós mesmos ao meio ambiente. Esse trabalho pode ser estendido ás comunidades, nas quais, as escolas estão inseridas. “Mas nesse caso, a condição básica para efetivá-lo, além do processo de desenvolvimento de ações educativas voltadas á comunidade, é a compreensão das relações recíprocas e dinâmicas da sociedade, porque qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas, direta ou indiretamente, afetam a saúde, a segurança e o bem-estar da população. Dentro desse aspecto, é preciso atenção redobrada com as atividades sociais e econômicas; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e com a qualidade dos recursos ambientais. Mas essa atenção deve envolver tanto a teoria quanto a praticas consciente. Hoje, por exemplo, o tema que mais se destaca em ecologia é a aquecimento global e, conseqüentemente, a pergunta: o que podemos fazer para detê-lo?Existem medidas simples que podem ser ensinadas as crianças que, após a compreensão e assimilação teóricas, ainda se tornam agente multiplicadores da prática correta, que passa a ser disseminada a todos que convivem com elas,” 

Fonte: Revista Educativa Ano 1 – Nº 12 (Educação ecologia e econômica)

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Definição de Educação Ecológica


A educação ecológica visa á preparação das pessoas para a vida, enquanto membros da biosfera. Dessa forma, ao mesmo tempo em que abrange o aprendizado, o apreciar, o saber lidar e como manter os sistemas ambientais na sua totalidade, ela também exige tanto a compreensão do quadro global que cerca um problema especifico e os processos naturais ou artificiais que causam quanto ás ações para saná-lo. Esse conjunto de procedimentos envolve outro conceito, o da educação ambiental, que de forma simplificada, se resume em ação praticas que permitem a aproximação com o meio ambiente, possibilitam construções e estabelecem relações de responsabilidade harmoniosas, como forma de perpetuação e de manutenção da espécie humana, e dos demais seres vivos do planeta, de acordo com um padrão condizente de qualidade de vida. Partindo dessa afirmação, entre os principais objetivos da educação ambiental Sheila Dias destaca:
·         Contribuição para a consciência da diversidade de experiências que devem ser somadas em prol do coletivo e para a compreensão fundamental do meio ambiente e dos problemas a ele relacionados:
·         Criação de um comprometimento da população com uma causa e , em conseqüência, a participação em projetos coletivos locais regionais de melhoria e de proteção da qualidade ambiental, com reflexos imediatos na qualidade de vida das pessoas:
·         Importância de fazer com que os indivíduos tomem uma maior consciência dos problemas ambientais locais e globais, sensibilizando-os para esta questão:
 
Fonte: Revista Educativa Ano 1 – Nº 12 (Educação ecologia e econômica)



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