Atividades ambientais que fazem a diferença no ambiente escolar


Paty Fonte

Sabemos da importância da educação ambiental, todavia, muitas vezes, dentro das próprias escolas não há uma prática efetiva. Falta vivência, o hábito e a rotina – o que faz toda diferença. Por isso, reunimos algumas dicas para ajudar os professores a desenvolver um projeto contínuo e eficaz.
 
  1. Organização da escola
  2. Vivenciar o meio
  3. Criação de espaços ambientais
  4. Não cair em contradição
  5. Integração com a família
  6. Refletir sobre o conteúdo
  7. Conviver com a natureza
  8. Trabalhar sempre com interdisciplinaridade
  9. Tornar-se um ponto de coleta seletiva
  10. Divulgar o projeto
  11. Observações importantes
  12. Bibliografia e dicas de leitura
1- Organização da escola
O ambiente deve proporcionar a prática ambiental. Para tal, a escola precisa ser organizada de maneira correta, com latas específicas para a separação do lixo, com cartazes e placas indicando ações como: “Não jogue lixo no chão”, “Poupe água”, etc.
Somente na prática o aluno poderá perceber que é integrante, dependente e agente transformador do meio humano, contribuindo para melhorá-lo, além de sentir a importância individual e coletiva na preservação do meio ambiente, como meio de vida e saúde.
2- Vivenciar o meio
Atualmente, grande parte das crianças não tem contato direto com a natureza. Vivendo em grandes metrópoles, presas em apartamentos, não brincam na terra, não sobem em árvores, já nasceram na era da poluição e acabam por achá-la natural. Não preservamos o que não conhecemos tão pouco o que não gostamos. Logo, há essa necessidade, a de aproximarmos as crianças da natureza. Levá-las a pisar na grama, respirar ar puro em grandes parques arborizados, observar a formação das nuvens, a formação do orvalho, a gota d'água congelada pelo frio... Nas escolas são poucas as atividades como as “saídas de campo”, excursões em locais onde exista a diversidade de plantas, buscar em meio a elas os tipos comestíveis, as medicinais, aquelas que servem para fornecer madeiras e todas as outras razões que servem para se utilizar as plantas. Colecionar os diversos tipos de folhas, estudar suas diferenças, ensinar a desidratar as folhas e flores e com elas formar pequenos quadros.
Assim, a criança pode aprender a ter uma mentalidade científica, com curiosidade, fantasia, observação, compreendendo melhor o mundo à sua volta.

3- Criação de espaços ambientais
Unindo o lúdico ao ambiental as crianças aprendem a respeitar a natureza e preservá-la para gerações futuras. Espaços como a “sucatoteca” aliada a um ateliê infantil, certamente, farão a diferença. Nesses espaços pode-se transformar lixo em brinquedos e em grandes obras de arte. Além de aprender brincando, exposições bimestrais bem organizadas, farão as crianças sentirem-se valorizadas, aumentando a auto-estima e reforçando a importância da reciclagem.
4- Não cair em contradição
De nada adianta o discurso ambiental se não há uma preocupação real. Por isso, cabe alertar que em pequenas condutas é possível verificar até que ponto a escola está engajada ecologicamente. Um desperdício de papel pode ser um péssimo exemplo. Em contrapartida, reciclar mensalmente toda a sobra de papel e utilizar o papel reciclado em circulares, convites e mensagens que são enviadas aos responsáveis, fará a diferença na comunidade escolar.
5- Integração com a família
Conscientizar a família é tão importante quanto conscientizar os alunos. Se a família participa e inclui em seus hábitos atitudes ecológicas corretas, ponto positivo para a escola! Por isso, realizar exposições com as obras de arte das crianças; criar gincanas ambientais; convidar os pais para o dia da reciclagem do papel; abrir a “sucatoteca” para que pais e filhos juntos criem brinquedos; auxiliar recebendo lixo caseiro das famílias; nas homenagens aos pais oferecer lembranças recicladas; organizar palestras e festas ecológicas; entre outras atitudes, demonstrará o comprometimento real da escola com a educação ambiental.
Uma idéia que costuma ser eficaz e agrada é a organização periódica de um “Bazar de Trocas”, onde pais, alunos, professores e pessoas da comunidade se juntam para trocar objetos que não mais precisam ou não querem por outros que possam lhes ser mais úteis. Pode-se, também, pensar na Semana do Sebo, onde os alunos e professores trocariam livros usados, unindo o projeto ecológico com incentivo à leitura.
6- Refletir sobre o conteúdo
Muitas vezes os conteúdos dos livros didáticos e a maneira enraizada de transmiti-lo não contribuem para uma educação ecológica/ambiental efetiva. Tomemos como exemplo: Ensinar que as partes das plantas são raiz, caule, folhas, flores e frutos. Esquecemos que grande diversidade de vegetais na natureza não são compostos por essas partes. Os musgos, vegetais muito simples, não contêm caules e folhas. As samambaias, plantas conhecidas pelas crianças, não possuem flores e frutos, apresentando um ciclo reprodutivo mais parecido com o das árvores frutíferas. Este tipo de ensino transmite uma idéia errada para as crianças que, muitas vezes, não conseguem ver nas plantas que as cercam exemplos que ilustrem o que está sendo ensinado em sala de aula.
Os alunos precisam e devem aprender que nem sempre, é possível encontrar uma árvore na qual se veja as cinco partes da planta ao mesmo tempo. Algumas árvores perdem as folhas em algumas épocas do ano, ora são os frutos que se desenvolvem depois que as flores caem. A raiz, o caule e as folhas podem existir ao mesmo tempo na planta. As flores e frutos indicam mostram períodos sucessivos.
O grande problema de ensinar este tipo de conceito é que ele é falso. Se o texto do livro, ou a fala do professor, ou da professora enunciam que "as partes da planta são ...", leva o aluno à crença de que é natural uma planta contendo todas essas partes. A forma como nós ensinamos esses conteúdos aos alunos induz a erros.
É com este tipo de ensino que a escola se distancia da realidade, já que considera padrão conteúdos irreais.
O problema torna-se ainda maior quando consideramos que muitos professores e professoras ensinam o tema plantas para, depois, colocar em uma prova escrita a pergunta: "quais são as partes da planta?". E, certamente, se a criança responder "depende da planta", vão avaliar que esta resposta "está errada" . (SIGNORELLI, 2001)
Enfatizamos aqui que é fundamental preocupar com conteúdos que sejam selecionados e que realmente mostrem a realidade, e que possibilite tempo para se pensar o que se aprendeu. Ao estudar as plantas deve-se ter em mente o pensamento na grande diversidade existente. Destacando, ainda, o fato de que existem árvores e arbustos que passam parte do ano com aparência de que estão mortos, ou secos, e que depois de certo tempo, voltam a ter folhas, flores e frutos, ou seja, que o ciclo de vida da planta é como um círculo que se repete a cada ano.
Com isso, ler e responder questões do livro de Ciências apenas não atinge mais os objetivos de uma educação ambiental eficaz. Sugerimos que aluno e professor envolvam-se ativamente, refletindo, questionando e pesquisando sobre os diferentes conteúdos de tal forma que integrem-se ao seu meio sócio-ambiental.
7- Conviver com a natureza
Já citamos aqui a importância de aproximar as crianças da natureza, mas conviver vai além disso. Quando a criança entra em contato direto com as plantas, estabelece-se a relação: criança e seres vivos: observar, comparar, relacionar uns com os outros, é intensamente envolvente. O contato das crianças com as plantas pode se dar por meio de uma horta dentro da escola, da criação e cuidados com um aquário, ou por meio de vasos onde se possa cultivar plantas frutíferas e outros tipos de vegetais.
A convivência com a natureza possibilita a descoberta de si mesmo, como parte integrante do mundo físico e responsável pelo seu equilíbrio. O contato com o mundo natural leva a criança à percepção de uma outra dimensão além da tecnologia e do conforto material.
Aproveitando a horta da escola, as crianças podem plantar cenouras, alfaces, couves, e ao serem colhidas usarem a produção para sucos ou saladas feitos por elas dentro da cozinha experimental da escola. No caso da escola não possuir uma horta, pode-se utilizar de garrafas pet, e fazer uma horta suspensa onde poderão ser plantadas salsa, cebolinha, que podem ser utilizados na comida infantil.
8- Trabalhar sempre com interdisciplinaridade
Nos dias de hoje espera-se que os educadores sejam capazes de contextualizar os conteúdos e articulá-los nas diferentes disciplinas, ou sendo vários professores de entrarem em acordo e trabalharem em equipe.
Para uma prática efetiva de educação ambiental deve haver a interdisciplinaridade na escola e não restringi-la as aulas de Ciências.
9- Tornar-se um ponto de coleta seletiva
A coleta seletiva de materiais recicláveis nas escolas é um caminho para educar e mudar comportamentos. Caminho oportuno, considerando a situação crítica de limpeza urbana e de disposição final do lixo, comum a cidades de pequeno, médio e grande porte.
Informações do setor público, do privado e da sociedade civil facilitam que as escolas desenvolvam ações práticas de implantar a coleta seletiva de materiais, especialmente o papel. Como a coleta domiciliar de materiais recicláveis é muito cara, pois exige equipamentos, veículos e sistemas de coleta especiais, o início desse processo pode partir de pontos fixos, ressaltando-se as escolas, as empresas os locais de entrega voluntária.
As escolas produzem resíduos próprios, como grande quantidade de papel, sendo também pontos de convergência da comunidade e locais de afluxo cotidiano de alunos e professores que podem trazer os materiais recicláveis coletados nos domicílios.
Havendo locais de disposição temporária desses recicláveis, eles podem ser coletados periodicamente por compradores contratados pelas escolas, dentre listagem levantada previamente.

10- Divulgar o projeto
A partir do momento em que os trabalhos realizados são divulgados, um público maior é informado e incentivado a adquirir hábitos que farão a diferença no todo. Então, descobrir e priorizar temas relacionados com a comunidade em que a escola está inserida como: problemas com lixo, com saneamento, com algum rio ou alguma doença, criando programas e atividades que levem a transformações sócio-ambientais, ouvindo todos os membros da comunidade escolar e oferecendo espaço para discussão, debate e análise dos mesmos é essencial.
Pode-se, ainda, registrar os efeitos positivos, as soluções criativas, mensagens e dicas através de um jornal escolar, ou mesmo realizar passeatas, festas e feiras culturais ambientais, o que servirá como alerta à população e demonstrará o engajamento e compromisso da escola.
Observações importantes:
  • A aprendizagem será mais efetiva se a atividade estiver adaptada às situações da vida real da cidade, ou do meio em que vivem aluno e professor.
  • O professor deve mostrar que para adquirir consciência sobre as questões ambientais, os alunos terão de se envolver em um aprendizado constante, pois as transformações naturais também ocorrem de maneira continuada.
  • A maior preocupação dos professores deve ser a de desenvolver valores, atitudes e posturas éticas em seus alunos.
Bibliografia e dicas de leitura:
  • BRASIL: Educação Ambiental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: Secretaria de Educação Fundamental, 1997.
  • DIAS, G.F: Educação Ambiental: Princípios e Práticas. 6ª Edição. Editora Gaia. São Paulo, 2000.
  • DOHME Vânia e Walter: Ensinando a Criança Amar a Natureza ; Informal editora – São Paulo, 2002.
  • OLIVEIRA, E. M. Educação Ambiental – Uma Possível Abordagem. 2ª Edição. Ed. IBAMA. Brasília, 2000.


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Professor cego ensina crianças a cuidar da natureza

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Mesmo sem o sentido da visão, Luiz deixou as aulas de História e Ciências para ensinar seus alunos a enxergar melhor a natureza e a preservar o meio ambiente
O professor da rede municipal de ensino Altedâneo Luiz Mason, 42 anos, mesmo sem o sentido da visão, deixou as aulas de História e Ciências para ensinar seus alunos a enxergar melhor a natureza e a preservar o meio ambiente. Dos temas em sala de aula a passeios que promove com os alunos, o professor transformou crianças e adolescentes em multiplicadores de informações e virou uma liderança na comunidade.
Luiz, como é chamado pelos alunos, ensina há 18 anos no CEI Doutel de Andrade, no Conjunto Abaeté, Boa Vista. Bastante comunicativo, usa a liderança na comunidade e a facilidade em fazer novos amigos em proveito do ensino.
Foi assim que Luiz levou seus alunos para conhecer a Ilha do Mel, no litoral paranaense, considerada modelo de preservação e de sustentabilidade ambiental no Estado, com ajuda de uma pousada local.“Algumas  crianças nunca tinham visto o mar. Ficaram maravilhados com a beleza e com a imensidão das águas”, lembra.
O passeio foi um sucesso. Para as crianças, belas lembranças e conhecimento para toda a vida. A estudante Eliane, 12 anos, conta que não sabia que “tinha tanta água neste mundo”. Seu irmão menor chegou a experimentar a água para testar se era mesmo salgada.
Ao exibir as centenas de fotos da visita de seus pupilos à Ilha do Mel, o professor Luiz, que é frequentador do local, dá evidências de seu amor pela natureza. Quando narra o passeio, parece tomar emprestado, o olhar de seus alunos para ver melhor a imensidão do azul do mar; o verde deslumbrante da vegetação preservada, enfim, a beleza da paisagem de um lugar freqüentado por turistas de todos os lugares.
Fora do cenário ecologicamente perfeito, porém, o professor revela que nas aulas “pega pesado” na questão da conscientização, apertando a caneta quando o assunto é preservação ambiental. “Cobro muito deles e sempre explico que o exemplo começa com a gente mesmo, na nossa casa, na escola, na rua, na cidade”, diz.

Fonte: http://www.curitiba.pr.gov.br/noticias/professor-cego-ensina-criancas-a-cuidar-da-natureza/21034
Data de Publicação : 09/11/2010

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Educação Ambiental e formação de professores


Autora: Maria Esther Pereira Flick
estherflick@hotmail.comEste endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
RESUMO
A escola , é de longe, o lugar mais adequado para a inserção das práticas educacionais inerentes ao meio ambiente. Um dos desempenhos mais respeitáveis da escola é sua força de influência e transformação em relação a conceitos da comunidade em que está inserida. Nesse contexto e, na temática ambiental, a escola oferece um impacto expressivo na sociedade, através da sua mais fiel tradução: o trabalho dos profissionais em educação, em função da abertura de caminhos de difusão com os alunos, que permitam reflexões sobre o papel destes , como cidadãos em relação ao meio ambiente. Este é o mister do professor : a responsabilidade de acordar o aluno para o bom senso de descobrir dentro de si a autoconfiança e potencialidade para o exercício de sua cidadania, desencadeando posturas e atuações mediante as dificuldades sócioambientais.
A soberania da ciência e da tecnologia vem registrando avanços científicos, decididamente insólitos, no decorrer da história da humanidade. Poder-se-á, entretanto, afirmar que os padrões culturais impostos pela sociedade industrial contemporânea fazem com que se conviva com o ameaçador fantasma da crise ambiental. A tecnologia e a ciência conferiram benefícios para o homem, e, paradoxalmente, trouxeram comprometimentos negativos e irreversíveis ao ambiente social e natural. Analisando as três últimas décadas, constatar-se-á o agravamento e distanciamento inexoráveis das diferenças sociais, políticas e ambientais em relação aos contextos global e local.
O Século XX assistiu ao mais vigoroso avanço tecnológico de todos os tempos e, concomitantemente, às mais selvagens agressões ao meio ambiente, já que, em nome do desenvolvimento, os impactos ambientais não foram dimensionados, bem como a “certeza” da infinitude dos recursos naturais. O planeta foi testemunha e vítima de mudanças climáticas, hidrográficas e biológicas - em sua maioria em função de sua própria evolução. Desta vez, é diferente. O agente modificador é, eminentemente, o ser humano. A assertiva de que os problemas ambientais da atualidade são oriundos de fatores culturais, políticos e socioeconômicos são incontinentes. Em decorrência desses aspectos, demandas sociais e ambientais têm sido ostensivamente preteridas sob a égide dos preceitos econômicos e políticos, os quais deram origem a uma sociedade tecnológica e cientificamente avançada, enquanto os benefícios advindos desses avanços são distribuídos para poucos e, com o ônus desse processo socializado por toda a sociedade planetária, envolvendo todos os atores sociais em uma intrincada teia de aranha. Os impactos ambientais no cotidiano do planeta têm sido imensuráveis, desvirtuando – implacavelmente, a qualidade de vida das sociedades, provocando insegurança, questionamentos e críticas aos modelos de desenvolvimento socioeconômicos adotados pelos homens. Nessa conjuntura a Educação Ambiental tem papel preponderante, tanto em relação às propostas de gestão educacional e do meio ambiente, quanto em políticas públicas e conhecimentos inerentes à temática, na releitura, no repensar das atitudes de ordem e valores individuais e coletivas.
1. EDUCAÇÃO AMBIENTAL
À Educação ambiental foi legado o mister de ser agente transformador da sociedade e, à escola – como instituição responsável pela formação de cidadãos, a incumbência de desenvolver dispositivos em função dos valores, dos conhecimentos, os quais dão ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­embasamento à formação e transformação das pessoas. Dentre todas as áreas da educação nenhuma tem uma convocação tão urgente, tão intensamente globalizadora quanto a Educação Ambiental. Singular em seu perfil integrador e catalisador de tantos outros arcos do saber, emana efeitos desastrosos quando a dinâmica do seu objetivo é inócuo. Efeitos esses, que desprovidos de qualquer eufemismo, aliados à falta de consciência crítica da sociedade, superdimensionam os problemas ambientais e seus segmentos: econômicos, políticos, tecnológicos, científicos e sócioculturais.
Segundo Reigota (1994), é consenso entre a comunidade internacional que Educação Ambiental deve estar presente em todos os espaços que dotam os cidadãos de aprendizado – formal, não formal ou informal. Neste contexto, a escola, como responsável pela formação integral de cidadãos tem o dever social de desenvolver sistemas de conhecimentos, preceitos e valores que construam a conduta e fundamentem o comportamento próprio de proteção do meio ambiente. Na comunidade escolar a reflexão compartilhada, conjugada, traceja e esclarece o papel de cada ator social nos trabalhos com o meio ambiente. A escola é de longe, o ambiente ideal para se trabalhar conteúdos e metodologias adequadas a esses propósitos. Com obviedade, a escola e a Educação Ambiental – isoladamente, não trarão soluções para a complexidade que se revestem os problemas sócioambientais do planeta, entretanto, o convívio escolar exerce, decididamente, influência nas práticas cognitivas, bem como na formação de um novo sujeito social: redefinindo a relação das pessoas na conjuntura cultural/ambiental, se traduzindo no ponto de equilíbrio, de interligação na busca do convívio coesivo entre o homem e o meio ambiente, redimensionando o comportamento humano em relação ao planeta – nas formas local e global.
Reigota (1994) é categórico quando afirma ser a escola o local privilegiado para a realização da Educação Ambiental – desde que se dê oportunidade à criatividade... E assim deve ser: o aprendizado poderá ser ministrado nos parques, reservas ecológicas, associações de bairros, universidades, sindicatos, meios de comunicação de massa, mas, nenhum espaço – na opinião do autor, é tão perfeito quanto a escola.
2. A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO FUNDAMENTAL
A forma holística pela qual deveria ser tratada a Educação Ambiental fica relegada ou, ainda não foi adotada, pela escola e pelos educadores ambientais. É público e notório que a Educação Ambiental é – timidamente, desenvolvida nas escolas, estando na maioria das vezes ausente das práticas adotadas pelos educadores, não obstante algumas atividades pontuais sejam propostas inerentes “à preservação do ambiente”. A Educação Ambiental é um tema não-definido e desordenado dentro dos conteúdos programáticos escolares, com ações isoladas. Verifica-se um projeto tênue aqui, outro ali, envolvendo os alunos – muitas vezes, apenas para complementação de carga horária. Atividades esporádicas: realização de reciclagem de lixo, abordando a economia da água, da energia, enfim, ações fragmentadas e diluídas dentro dos currículos escolares, em detrimento de programas amplos e integrados às diversas disciplinas curriculares e seus conteúdos programáticos.
De acordo com Dias (1992, p. 26) [...] tratar a questão ambiental abordando apenas um de seus aspectos – o ecológico – seria praticar o mais ingênuo e primário reducionismo. Seria adotar o verde pelo verde, o ecologismo, o desconsiderar de forma lamentável as raízes profundas das nossas mazelas ambientais, situadas nos modelos de desenvolvimento [...]. Os currículos escolares abordam incontáveis conteúdos que tratam sobre ecologia, sumamente importantes para o desenvolvimento social, intelectual e cultural dos alunos, porém, igualmente, tratados de forma fracionada, fragmentada, que não fazem relação com a realidade dos alunos e de maneira pouco atrativa, não sendo relacionados com as questões ambientais, enfatizando – apenas, questões muito mais conceituais e dogmáticas.
Muitos educadores, “preocupados” com os problemas ambientais, levam para sala de aula conteúdos voltados para uma consciência conservacionista, e, portanto, que abordam aspectos meramente naturalistas, conceituando o espaço natural fora do meio humano. Uma maneira simplista, com ações educacionais direcionadas de forma restrita de defesa do espaço natural.Sintetizando: a análise feita sobre a Educação Ambiental vem sendo desenvolvida através de algumas disciplinas – como já relatado, de forma inconsistente e conservacionista e que tem (na maioria das instituições educacionais) o “dia do meio ambiente” o seu ponto culminante, pretexto para se comemorar e lembrar do ato de educar em função da consciência ambiental, e, no decorrer do calendário escolar se esquecem de que a escola e seus educadores têm o dever de elaborar projetos pedagógicos conectados e coerentes, de forma que sejam funcionais a qualquer programa que tenha como fim a Educação Ambiental.
3. OS NOVOS RUMOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL
A Educação Ambiental ainda se encontra densamente relacionada somente com a Ecologia. Ledo engano. Trabalham-se nas comunidades escolares com conteúdos programáticos complicados de serem ministrados em sala de aula: demasiadamente “cientificados” através de disciplinas. Urge a formação de gerações ambientalmente competentes, éticas, críticas, reflexivas, observadoras. Formação de gerações preparadas para questionarem, elegerem, conduzirem práticas solidárias e comprometidas com a qualidade de vida do planeta através da consciência ambiental – em toda acepção da palavra. O advento e integração da Educação Ambiental na escola só se tornarão possíveis fundamentados em ações pontuais capazes de se adequarem, de forma sistêmica e racional, que atinjam os fins em relação às demandas, através de contextos metodológicos de ensino. A Educação Ambiental precisa ter definida o seu lugar nos parâmetros curriculares brasileiros, para dizer a que veio e o que pretende: não somente se ocupar do ensino sobre a natureza, porém, para educar “com” e “para” a natureza.
Dentro da nova ordem mundial, o novo conceito educacional que se pretende desenvolver, propõe que a escola deva ter um perfil – antes de tudo, moldado para uma aprendizado cognitivo que enseje ações em prol do meio ambiente de forma individual e, simultaneamente, de forma coletiva - redimensionando a relação entre os atores sociais envolvidos na comunidade escolar, enfatizando – fundamentalmente o papel do professor, que não obstante seja de coadjuvante neste inusitado conceito de escola/ensino/aprendizagem para a formação do novo ser sócioambiental para o século XXI, se torna a perfeita tradução do que indica Freire (1997, p. 28): O educador democrático não pode negar-se o dever de, na sua prática docente, reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade, sua submissão. [...] percebe-se assim a importância do papel do educador e a certeza de que faz parte de sua tarefa docente, não apenas ensinar conteúdos, mas, também ensinar a pensar certo. A formação de educadores, a necessidade e urgência que a envolve são fatores oriundos do imediatismo inexorável das soluções para as questões ambientais. Na nova ordem mundial faz-se mister uma formação para os profissionais de educação que não seja, meramente, transplantada dos procedimentos convencionais de aprendizagem, e que venha a travestir a Educação ambiental de uma visão equivocada.
4. A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Aos educadores cabem a responsabilidade de acordar o aluno para o bom senso de descobrir dentro de si a autoconfiança e potencialidade para o exercício de sua cidadania, desencadeando posturas e atuações mediante as dificuldades sócioambientais. Os ensinamentos e práticas pedagógicas para os novos paradigmas da educação exigem conhecimentos metodológicos específicos, bem como novas relações com os conteúdos holísticos.
A Educação Ambiental é originária da necessidade de se contestar a crise da educação. É inquestionável que, algo está fora da ordem no processo de formação dos cidadãos. Como formar cidadãos atuantes e que façam valer seus direitos? Como educar para se ter audácia de dar um basta aos processos que aviltram e degradam a natureza e que superdimensionam a desigualdade entre os atores sociais? E por outro lado: como capacitar um professor para assumir essa postura? Algumas ações têm sido inseridas na formação de multiplicadores em educação ambiental, porém, em inúmeras experiências vivenciadas, atestou-se a necessidade de investimentos estimáveis e de peso – por parte de poderes públicos, no contexto sócioambiental e seus gravíssimos problemas. Ao questionar profissionais de educação acerca de fatores que obstaculizam a inclusão da Educação Ambiental e como transpô-los, as respostas são diretas: “Não se sabe como fazê-lo.” Resposta simplista, para problema essencialmente desafiador: como formar formadores.
A inclusão da Educação Ambiental nos currículos escolares, as práticas pedagógicas correspondentes, vêm esbarrando na falta de identificação de conteúdos apropriados, estratégias educacionais mais dinâmicas, eficazmente lúdicas e de socialização mais interessante. Vêm sendo estranguladas pelas classes multisseriadas; pelo enorme abismo que separa o interesse do professor pela introdução de práticas pedagógicas correlatas com o meio ambiente; enfim, inviabilizadas pelas salas de aula sem carteiras, sem paredes, sem portas... questões anatematizadas da própria educação brasileira.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O educador, enquanto profissional da educação, no exercício da sua função tem um grande desafio para o Século XXI: a formação da consciência ambiental dos alunos e, no desenvolvimento e exercício da sua cidadania, através da transformação dos próprios paradigmas e conceitos, de uma escola formadora e transformadora – onde os conceitos se desenvolvam através do trabalho escolar.As comunidades escolares em que os profissionais adotem práticas e abracem ações tradicionais e conservadoras de ensino, que não têm como foco essencial as amplas questões ambientais, que não se acercam sobre considerações do meio ambiente e apresentem sugestões didáticas praticáveis nas séries iniciais do ensino fundamental – propícias à formação e desenvolvimento da consciência ambiental de crianças e adolescentes, não estarão preparadas para os desafios inerentes ao modelo de ensino que a dimensão ambiental reclama.Nessa conjunção, a relação aluno/professor é redefinida em função dos conhecimentos característicos dos profissionais de educação e o novo perfil didático-pedagógico que deverá ser imprimido por esses ensinamentos.
Para Weid (1977, p. 84),
“é preciso intervir em processos de capacitação que permitam ao professor embasar seu trabalho com conceitos sólidos, para que as ações não fiquem isoladas e/ou distantes dos princípios da Educação Ambiental.”
Ou seja, o profissional de educação que se capacite em Educação Ambiental, pressupostamente, deve ser capaz de aplicar práticas sóciopedagógicas, não só no seu ambiente escolar, mas, em qualquer segmento da sociedade, com o escopo que se estabelece na temática ambiental.No ensino fundamental, as habilitações dos professores são oriundas das secretarias, as quais desenvolvem projetos relativos aos procedimentos pedagógicos – metodologias, relação aluno/professor, conteúdos programáticos desenvolvidos, correlação estabelecida com outras áreas de conhecimento, dentre outras atividades. Requer formação continuada, bem como um projeto pedagógico altamente delineado. Todavia, o formato como os currículos são oferecidos, ainda não permitem uma maneira flexível para que os profissionais possam implementar a dimensão ambiental em sua aulas. É, essencialmente, importante observar que, os profissionais em exercício, normalmente, trazem uma formação tradicional, clássica – contexto em que detêm conhecimento e que o aluno é um mero espectador.
Acatado como o “pai da Educação Ambiental”, o escocês Patrick Geddes (1933), já divergia da metodologia utilizada pelas unidades escolares, em que os alunos eram reportados do seu ambiente natural, para um mundo de conhecimentos “deslinkados” e fragmentados de sua realidade. Esta intervenção ainda traduz a realidade vivenciada através das metodologias de aprendizagem da atualidade, valendo observar que, o caráter que se reveste esse estilo de capacitação dever-se-á tornar indispensável uma reformulação metodológica, conceitual e curricular.
Autores como Pelicioni e Philippi Jr. (2005), salientam que
“não existe Educação Ambiental se ela não se efetivar na prática, na vida, a partir das necessidades sentidas”.
Sabe-se que, o bom mestre é aquele que provoca questionamentos – muito mais do que aquele que municia os alunos de respostas. Docentes com essa postura embotada tendem a se diluir em sua própria mediocridade, dando lugar a educadores que inquietam, que aguçam, que estimulam o imaginário ambientalista dos alunos, levando-os reflexões que proporcionem a edificação e consolidação de respostas para os conflitos socioambientais do nosso planeta.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
OLIVEIRA, Flávia de Paiva de Medeiros de; GUIMARÃES, Flávio Romero. Direito, meio ambiente e cidadania: uma abordagem interdisciplinar. São Paulo: Medras, 2004.
PELICIONI, Maria Cecília Focesi; PHILIPPI Jr., Arlindo. Educação ambiental e sustentabilidade. (Col. Ambiental).
PENTEADO, Heloísa Dupas. Meio ambiente e formação de professores. 5 ed. São Paulo: Cortez, 2005.
PHILIPPI JR., Arlindo et al. Curso de gestão ambiental. Barueri, SP: Manole, 2004.
PHILIPPI JR., Arlindo et al. Educação ambiental: desenvolvimento de cursos e projetos, 2. ed. São Paulo: EDUSP, 2002.
REIGOTA, Marcos. O que é educação ambiental.São Paulo: Brasiliense, 2006.
TELLES, Marcelo de Queiroz. Vivências integradas com o meio ambiente. São Paulo: Sá, 2002.
VIOLA, Eduardo J. et al. Meio ambiente, desenvolvimento e cidadania: desafio para as ciências sociais. 3 ed. São Paulo: Cortez; Florianópolis; Universidade Federal de Santa Catarina, 2001.

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Aproveite o interesse dos alunos pelo assunto para desenvolver o senso críticos deles


 
ATENÇÃO PARA NÃO BANALIZAR O TEMA

            O debate sobre a questão ambiental é cercada de alguns preconceitos e visões distorcidas. Evite essas armadilhas:

§  A questão ecológica restringe-se á preservação do ambiente e ao combate á poluição.  FALSO. O tema deve ser desdobrado com discussões em torno de saúde, cultura, saneamento, transporte, educação e outros.
§  Defensores do meio ambiente são pessoas radicais e privilegiadas. FALSO. Defender os direitos de todos é um dever de cidadania, e não questão de privilégio.
§  É um luxo defender animais ameaçados de extinção, enquanto milhares de crianças morrem de fome. FALSO. São problemas diferentes e que devem ser combatidos.
§  Para haver progresso, é normal algo ser destruído ou poluído. FALSO. Poluição não significa progresso. E sim, sinal de ignorância.



EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA CRISTA DA ONDA

            O tema da educação ambiental se tornou uma das coqueluches nas escolas brasileiras. Não é difícil introduzir a discussão com os alunos, pois boa parte deles demonstra interesse pelo assunto e carrega informações adquiridas fora da escola, por meio de conversas com outras pessoas ou absorvendo conteúdos dos meios de comunicação. Importante é desenvolver nos jovens uma postura crítica em relação a essas informações que eles obtêm. Com isso, a visão deles sobre questões ambientais torna-se mais ampla e, portanto, mais segura diante da realidade em que vivem.



NA PRÁTICA O QUE É IMPORTANTE ENSINAR

            Fazem parte dos conteúdos de Educação Ambiental do terceiro e quarto ciclos desde formas de manutenção da limpeza do ambiente escolar, práticas orgânicas na agricultura, modos de evitar o desperdício até como elaborar e participar de uma campanha ou saber dispor dos serviços existentes, como órgãos ligados á prefeitura ou organizações não-governamentais(ONGs). Os alunos devem reconhecer os fatores que geram bem-estar á população. Para isso, precisam desenvolver senso de responsabilidade no uso de bens comuns e recursos naturais, de que respeitem o ambiente e as pessoas. Outra frente de trabalho é fazer com que os jovens valorizem a diversidade natural e sociocultural, par compreender diferentes faces do patrimônio natural, étnico e cultural.

           



            COMO SELECIONAR TEMAS DE INTERESSE

            Orientadores que elaboram os Pcns depararam com duas dificuldades para  propor a seleção de conteúdos para o tema transversal de Meio Ambiente: a amplitude da temática ambiental e a diversidade da realidade brasileira, com tantas características regionais. Esses fatores também se aplicam aos professores em sala de aula. Para facilitar o direcionamento do tema, foi definida como parâmetro uma aprendizagem que aborde as questões amplas e, ao mesmo tempo, atente ás especificidades regionais. As turmas do Sul não devem, necessariamente, aprender o mesmo que as do Norte. Veja a seguir o que os conteúdos devem abranger:
           
§  postura participativa, com a conscientização dos problemas ambientais;
§  possibilidade de sensibilização e motivação para envolvimento afetivo;
§  desenvolvimento de valores para o exercício da cidadania, como agente de gerenciamento do ambiente;
§  visão integrada da realidade, contemplando a dinâmica local e planetária e desvendando causas e problemas ambientais;
§  assuntos compatíveis com conteúdos desses ciclos e que sejam relevantes á realidade brasileira.
           
Fonte: Revista Nova Escola, Edição Especial Parâmetros Curriculares Nacionais de 5a a 8a série. Editora Abril,

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